Início > Carreira > CLT x PJ Atualizado – 2012

CLT x PJ Atualizado – 2012

Hoje em dia no mercado de TI (nem só TI, mas TI principalmente), existem várias maneiras de contratação, das quais eu destaco as mais utilizadas:

* CLT: Registrado com carteira de trabalho assinada, férias, etc
* PJ: Pessoa Jurídica, na qual o profissional tem que abrir uma empresa e vira um prestador de serviço.

Existem variações da CLT, como a tal de CLT Flex, na qual o funcionário é registrado por um valor menor e recebe o resto legalmente “por fora”. Outra variação é o registro CLT por um valor baixo e recebimento de participação nos lucros na empresa bimestralmente. No meu ponto de vista, estas variações são piadas de mal gosto e nem comento aqui, mas infelizmente essas são as saídas de muitos profissionais que estão ingressando no mercado de trabalho e tem que se “submeter” a tal modalidade.

O objetivo deste post é comparar brevemente CLT e PJ, mostrar minha opinião pessoal, e deixar que o leitor tire suas conclusões.

Em síntese, um profissional registrado como CLT tem todos os direitos previstos na legislação brasileira, tais como: 13, férias, FGTS, etc. Porém ele paga uma alta carga tributária e o valor líquido que ele recebe é menor que o valor bruto, ou seja, o valor registrado em carteira. Um profissional registrado por 4500 reais, recebe aproximadamente 3600 ao final do mês, um desconto de quase mil reais!
Um profissional que presta serviço através de sua empresa (PJ), tem por características pagar menos impostos e ter menos benefícios, portanto, o valor líquido que ele pega em mãos, é muito maior, além disso, as empresas que contratam um profissional PJ, tem um custo menor para manter o “funcionário”, portanto, podem pagar mais pelo seu trabalho.

Colocando isso em números para podermos comparar as duas modalidades de contratação, vamos a um exemplo abaixo:

  • Profissional CLT registrado por 4500 reais.
  • Profissional PJ com o valor hora de 50 reais calculando um mês de 168 horas. (50 * 168 = 8400) – Este valor hora é de um programador Java Sênior, mas podem haver variações.

Para calcularmos o real salário do funcionário CLT, não basta verificar o valor que ele recebe líquido, temos que colocar todos os benefícios na equação, alguns exemplos são:

3600 – Valor líquido ao fim do mês
400 – INSS (este valor retorna algum dia na aposentadoria)
300 – 13 (décimo terceiro – paga-se o valor do mesmo e divide por 12)
300 – 14 (décimo quarto – algumas empresas tem 14/Participação nos lucros, é a mesma conta que para o 13)
1000 – Plano de saúde executivo familiar (profissional + esposa + filho – eu cotei o plano executivo da Amil)
250 – Ticket refeição
250 – Vale transporte

Os benefícios variam de empresa para empresa, então esta conta é bem pessoal, acima eu citei alguns exemplos comuns, baseado nestes exemplos, podemos dizer que o salario do profissional CLT é então:

3600 + 2500 = 6100

Nunca coloque valores que podem não vir a se realizar, tais como bonus, participação em projetos, etc. Estes são eventualidades.

Agora, calculando o valor do profissional PJ, temos 50 * 168 = 8400.

Os valores do CLT e do PJ podem variar com adição de horas extras, mas NUNCA se deve levar em consideração este fator, visto que é algo que pode não existir. Já vi muitos profissionais quebrarem a cara ao optarem por trabalho PJ sob alegação que a empresa permitiria horas abertas. Isso é bem específico de cada projeto. Dá sim para ganhar muito dinheiro com isso, mas é um risco que cada um tem que saber medir.

Em cima do valor de 8400, o profissional PJ vai pagar aproximadamente 15% de impostos/escritório/etc, é um valor alto, mas a média é entre 10 a 15% mesmo, para fazermos estas contas, sempre devemos chutar alto.

Descontados os 15%, o PJ tem ao final do mês 7140 reais na mão. Agora veja que o PJ não tem NENHUM dos benefícios do CLT, então este valor dos benefícios deve ser descontado do PJ:
7140 – 2500(benefícios do CLT) = 4640

Agora destes 4640, descontamos o salário líquido do CLT (3600), que vai dar uma diferença de 1040.

Aí vamos para a conclusão:

Existem N fatores que podem entrar nesta equação, o CLT pode ter mais ou menos benefícios, o PJ pode ter algum benefício também, porém em geral, O CLT tem que considerar que tem férias, licenças (maternidade, doença, seguro desemprego, etc)FGTS, etc.. enquanto o PJ não tem NADA disso, se ele quiser o benefício, vai ter que pagar de seu próprio bolso.

Outro fator que muitas pessoas consideram é a estabilidade do CLT. Para uma empresa mandar um profissional PJ “embora”, é muito mais prático e não tem custo algum, no máximo tem um contrato assinado que normalmente dá até este direito para a empresa, ai o PJ vai embora sem receber nada! Para mandar um CLT para a rua, é caro! Uma empresa sempre vai preferir mandar o PJ para a rua! Eu particularmente, não levo em consideração este fator na área de TI (estabilidade) se você for um bom profissional (bom CV, falar inglês, etc), pois o mercado é aquecido e não faltam vagas.

O PJ normalmente não tem plano de carreira, o CLT costuma ter. Algumas empresas também pagam cursos para os profissionais CLT, e isso tem seu valor e tem que entrar na conta.

Por outro lado, o PJ pode trabalhar muito, fazer horas extras irreais, e recebera por isso, um CLT, esta limitado legalmente em seu numero de horas (40 horas mês).

Para abrir uma empresa para prestar serviço como PJ, você vai ter um custo, e para fechar a empresa vai ter um custo maior ainda, o CLT não tem custo algum (só o da foto 3×4🙂 ).

Se um PJ falta do trabalho, o problema é dele, até com atestado médico, e não vai receber por isso, então ele não pode nem pensar em ficar doente! Se o CLT falta, com atestado, ele recebe normalmente, se fica doente, tem amparo legal!

Legalmente, uma empresa (PJ) deve gastar o lucro da empresa com A empresa, o que a maioria das pessoas faz é simplesmente pegar esse dinheiro e torrar com gastos pessoais, casas, carros, etc. Se a empresa cai em um pente fino da Receita Federal, irá pagar uma multa sobre tudo que não for comprovado como gasto da empresa PJ, ou seja, sobre TODA sua retirada! Tenho amigos que cairam nessa e demoraram mais que 5 anos para se “levantar” financeiramente.

Agora, se perguntarem qual minha preferencia, eu digo categoricamente: CLT.

O valor PJ tem que ser muito alto para justificar uma migração para o mesmo. Tem que dar dinheiro para pagar todos os benefícios do CLT e sobrar. As vezes as pessoas só olham o valor direto que o PJ rende e não olham os outros valores que o CLT propicia e caem em ilusões! Acabem pensando no presente.

Ao analisar uma proposta, coloque TODOS os fatores na ponta do lápis e não tome uma decisão precipitada.

Espero que este tópico tenha sido útil para você.

Abraços

Categorias:Carreira Tags:, , ,
  1. Guilherme Garnier
    outubro 8, 2009 às 1:52 pm

    Artigo muito interessante. Concordo totalmente com o que você escreveu, e acho importantíssimo divulgar estas informações. O mercado de TI anda muito "prostituído", e os profissionais, muitas vezes por ingenuidade e inexperiência, acabam sendo enganados por empresas que oferecem contrato de PJ já pensando na facilidade para descartá-lo posteriormente, além de não ter que pagar qualquer benefício ou hora extra.

  2. some1
    fevereiro 13, 2010 às 1:17 pm

    Muito bom o seu artigo, obrigado por compartilhar.

    Infelizmente a prática abusiva da contratação PJ hoje é o default, precisamos reverter essa situação.

    Abraço!

  3. junho 29, 2010 às 8:54 pm

    Eu também costumo fazer isso. Quando o arrazoado é muito grande, levo pro blog.
    Seu trabalho ficou muito bom!

    E, a propósito, como o colega daqui falou em “reverter” a situação, aproveito para registrar uma experiência que tive recentemente, quando meu carro foi guinchado.

    O motorista do guincho disse como é seu dia de trabalho. Basicamente, 12 horas ao volante. Salientou que o sindicato nem pressiona tanto, pois se as empresas operassem como 8 horas, o salário seria bem menor.

    E, do jeito que está, ninguém contrata alguém que não queira jogar o jogo – 12 horas por dia.

    Claro que o cidadão não tem um pingo de qualidade de vida. Só se for por “muito amor pela profissão”, como disse o cara legal que conduziu meu veículo, mas asseverando que ninguém aguenta muitos anos neste ritmo.

    Caso queira visitar meu blog: http://www.tentandoser.blogspot.com
    (Um dia ainda aprendo a lidar com WordPress…:-)…

  4. Juca
    junho 29, 2010 às 11:29 pm

    Cara, é interessante o seu artigo.

    Só a aritmética é que está capenga. Vc soma o benefício (2500) ao CLT e tira do PJ. Não faz sentido algum isto.

    • junho 30, 2010 às 5:03 pm

      Oi Juca.
      Faz sim, pois o benefício no fim das contas é $$$ que entra no CLT e deixa de entrar no PJ, então, para fins comparativos, fazemos a conta dessa forma.
      []s

  5. Ronin
    junho 30, 2010 às 12:19 pm

    A idéia deles è você se tornar P J , pagar para se associar a uma cooperativa ou empresa que terceiriza serviços públicos , daí ganha menos , trabalha mais , sem estabilidade , sem garantias , para sustentar mais CCs e estagiários , além de dispensar concurso.
    Em resumo , ruim com a CLT ,pior sem ela.

  6. Juca
    junho 30, 2010 às 10:00 pm

    Juliano, tirando de um lado e somando o mesmo valor no outro lado você está computando duplamente. Pense bem.

    • junho 30, 2010 às 10:17 pm

      Entao Juca, estes valores são descontados do PJ, pois “idealmente”, ele deveria “comprar” estes benefícios, ja que a empresa não paga para ele, tais como, plano de saude. Por isso que soma-se no CLT e tira-se do PJ.

  7. Marcelo
    julho 1, 2010 às 10:09 am

    O Juca está certo, Juliano. O que importa é o total de recursos disponível.

    O CLT na sua conta receberia R$ 6.100 líquidos (3600 de salário + 2500 de benefícios).

    O PJ receberia líquido R$ 7.140.

    Esta é a comparação final R$ 6.100 x R$ 7.140.

    Outro ponto que discordo do seu texto:

    “Legalmente, uma empresa (PJ) deve gastar o lucro da empresa com A empresa, o que a maioria das pessoas faz é simplesmente pegar esse dinheiro e torrar com gastos pessoais, casas, carros, etc. Se a empresa cai em um pente fino da Receita Federal, irá pagar uma multa sobre tudo que não for comprovado como gasto da empresa PJ, ou seja, sobre TODA sua retirada! Tenho amigos que cairam nessa e demoraram mais que 5 anos para se “levantar” financeiramente.”

    Se a empresa optar por lucro presumido (o que a grande maioria das micro e pequenas empresas faz), não tem que comprovar coisa alguma.

  8. maio 3, 2013 às 1:40 am

    If a child demands to wear a brace then you already
    know the kyphosis is moderate to severe in nature. It soon progressed to soreness that ran down
    my buttock and partially down my leg.

  9. maio 9, 2013 às 6:07 am

    Stereo scopes are ideal for looking with the details of larger things, including stamps or
    buttons. Like lots of autistic kids he ran on his toes and flapped his hands to self-stimulate in
    hopes of controlling all the noise in his head.

  10. Sarah
    junho 29, 2013 às 4:30 pm

    Minha dúvida tem a ver com imposto de renda. Como funciona o IR para esse pessoal? Esta nos calculos?..

    • robsontrevizani
      julho 6, 2013 às 6:03 am

      Sou programador Java, mas tenho alguma experiência em contabilidade e posso afirmar que:

      Em relação ao IR o correto é que o PJ receba um pró-labore, uma espécie de salário mensal pago ao sócio administrador da empresa, para que possa recolher o mesmo. No pró-labore também incide o INSS (valor fixo de 11%) e o próprio IRPF que é retido na fonte, com alíquotas que variam entre 7,5% e 27,5% para ganhos superiores a faixa de isenção. (para maiores detalhes consulte a tabela no site da receita federal)

      Na prática, as pessoas que trabalham sob este regime estão fugindo da enorme carga tributária e assim optam por ao final do exercício (no fechamento do balanço), contabilizar todo o dinheiro recebido, ou grande parte dele, como “divisão de lucros”, pois nesta categoria de recebimento não há a incidência de IRPF nem de INSS. Lembrando que em grande parte dos casos esta última opção pode configurar fraude.

      O ideal é que o profissional receba em forma de pró-labore uma quantia que justifique sua subsistência e que o excedente ele receba como divisão de lucros ao final do exercício, evitando assim maiores problemas com a receita federal e minimizando as despesas com impostos. Para a sua segurança, procure sempre um contabilista sério e de confiança, pois como o Juliano citou no artigo, há sérios riscos de se levar um tombo dos grandes.

  11. Caio
    setembro 18, 2014 às 12:44 pm

    Excelente matéria!

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: